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Em um dia como hoje, Lampião, Maria Bonita e seu bando eram mortos no sertão sergipano 

Para muitos. Lampião foi um exemplo de resistência e luta dos sertanejos contra a opressão e a injustiça, tornando-o um dos personagens mais emblemáticos da cultura popular brasileira.

Por Amilton Farias
28/07/2024 - 16:44
em História
Lampião e Maria Bonita com outros integrantes do seu bando.

Lampião e Maria Bonita com outros integrantes do seu bando.

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Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, nasceu em 4 de junho de 1898, na localidade de Serra Talhada, no estado de Pernambuco, Brasil. Filho de José Ferreira da Silva e Maria Lopes, Virgulino cresceu em uma família humilde e desde cedo enfrentou as adversidades da vida no sertão nordestino.

Alfabetizado, Lampião usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava. O início da vida de Virgulino foi marcado pelo trabalho duro na agricultura, ajudando sua família. Até os 21 anos de idade, ele trabalhou como artesão. No entanto, a instabilidade e a violência que permeavam o sertão influenciaram profundamente sua trajetória. Após a morte de seu pai em um conflito com forças policiais, Virgulino e seus irmãos decidiram se vingar, entrando para o cangaço, um movimento de banditismo social característico do Nordeste brasileiro na primeira metade do século XX.

Em 1922, após Sinhô Pereira decidir abandonar o cangaço, resolveu passar a liderança de seu bando para Lampião. A primeira ação do bando comandado por Lampião foi invadir a cidade de Belmonte, Pernambuco, e assassinar o coronel e comerciante Luiz Gonzaga Lopes Gomes Ferraz. Após o ataque a Belmonte, o bando de Lampião foi visto entrando no estado de Alagoas. As ações do bando de Lampião passaram a ocorrer além das divisas de Pernambuco, chegando aos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, de forma que, em janeiro de 1923, os chefes de polícia destes estados se reuniram pela primeira vez para discutir a criação de uma força-tarefa conjunta de combate ao cangaço.

Virgulino adotou o nome de Lampião devido à sua habilidade com armas de fogo, que “iluminavam” os caminhos por onde passava. Ele rapidamente se destacou como líder de um grupo de cangaceiros, ganhando notoriedade por sua astúcia, coragem e pelas táticas inovadoras que empregava em seus ataques e emboscadas. Seu grupo, conhecido como “bando de Lampião”, realizou diversos assaltos, sequestros e combates contra as volantes (forças policiais especializadas em combater o cangaço).

Os governos da Paraíba e Pernambuco, e posteriormente os demais estados, criaram forças policiais móveis, conhecidas popularmente como “volantes”. Essas forças passaram a ter permissão para entrar em estados vizinhos em busca de Lampião e seu bando. Em uma dessas missões, em julho de 1925, uma força volante da Paraíba composta de dezenove homens, comandados pelo sargento José Guedes, combateu parte do bando de Lampião na fazenda Serrote Preto (localizada entre Pernambuco e Alagoas). No combate, Levino, irmão de Lampião, foi morto.

Além do grupo principal, Lampião tinha o comando de diversos subgrupos paralelos, designando outros cangaceiros à frente, como Corisco e Antonio de Engracia.

Lampião era famoso também por seu estilo de vida peculiar. Ele e seu bando seguiam um código de conduta próprio e tinham um forte senso de identidade cultural. Usavam roupas elaboradas, decoradas com símbolos religiosos e bordados coloridos, e eram conhecidos por seus hábitos de cantoria e dança. Sua companheira, Maria Bonita, também se tornou uma figura icônica, sendo uma das primeiras mulheres a integrar um bando de cangaceiros.

Durante quase 20 anos, Lampião viajou com seu bando de cangaceiros, todos a cavalo, seguindo um código de conduta próprio e um forte senso de identidade cultural. Usavam trajes de couro, chapéus, sandálias, casacos, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da vegetação caatinga, decoradas com símbolos religiosos e bordados coloridos, e eram conhecidos por seus hábitos de cantoria e dança.

Para proteger o “capitão” (como Lampião era chamado) e realizar ataques a fazendas e municípios, todos usavam um poder bélico potente. Como não existiam contrabandos de armas para se adquirir, as mesmas eram, em sua maioria, roubadas da polícia e de unidades paramilitares. A espingarda Mauser e uma grande variedade de pistolas semiautomáticas e revólveres também eram adquiridos durante confrontos. A arma mais utilizada era o rifle Winchester. O bando chamava os integrantes das volantes de “macacos” – uma alusão ao modo como os soldados fugiam quando avistavam o grupo de Lampião: “pulando”.

Apesar disso, Lampião e seu bando eram frequentemente protegidos por coiteiros, conhecidos como fazendeiros, pequenos sitiantes ou mesmo autoridades locais que ofereciam abrigo e alimentos aos bandos por um curto espaço de tempo nos limites de suas terras, facilitando o deslocamento dos cangaceiros pelo Nordeste e sua fuga das forças volantes do Estado.

Durante a década de 1920 e início dos anos 1930, Lampião se tornou uma figura lendária no sertão. Seu bando enfrentava a polícia volante com sucesso, utilizando o conhecimento do terreno e técnicas de guerrilha. No entanto, a crescente pressão das forças policiais e a intensificação da perseguição tornaram a vida no cangaço cada vez mais difícil.

Sua companheira, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Déa ou Maria Bonita, conforme apelidada pela imprensa, juntou-se ao bando em 1930 e se tornou uma figura icônica, sendo uma das primeiras mulheres a integrar um bando de cangaceiros.

Lampião era devoto de Padre Cícero e respeitava suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte. Na ocasião, o padre sugeriu que Lampião largasse o cangaço, mas ele recusou.

Após uma série de traições e informações vazadas, no dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão silenciosamente que nem os cães perceberam. Por volta das 5:00 h do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o ofício e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais. Lampião, Maria Bonita e parte de seu bando foram cercados e mortos por uma volante na Grota do Angico, em Sergipe. As cabeças de Lampião e seus companheiros foram cortadas e expostas como troféus, marcando o fim de uma era no cangaço.

Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do então Tenente João Bezerra da Silva e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

O ataque durou cerca de vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o ouro e as joias.

A força militar comandada pelo então Tenente João Bezerra da Silva, conhecida como volante e posteriormente renomeada como a atual PMAL, decepou a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois também tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luís Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a. Este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro.

Cabeças cortadas do bando de Lampião em exposição. Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A história de Lampião e seu bando é cheia de paradoxos e atores que, direta ou indiretamente, teceram a complexidade de sua narrativa. O incidente com os corpos mutilados abandonados a céu aberto revela uma brutalidade que já se estende para além da violência física, adentrando o território do simbólico. A aplicação de creolina aos cadáveres, embora destinada a evitar a propagação de doenças, resultou na morte de urubus, alimentando rumores sobre traições e venenos. Essa mistura de fato e folclore ilustra a fervorosa crença popular e a perpetuação de mitos em torno da figura de Lampião.

Anualmente, na Grota de Angico, em Poço Redondo, Sergipe, acontece uma homenagem aos 11 mortos no dia 28 de julho, em um episódio relacionado ao cangaço. A tradicional Missa do Cangaço reúne familiares, admiradores, pesquisadores e curiosos, celebrando a memória e a resistência social do cangaço, um fenômeno de grande importância no sertão nordestino. Para muitos sertanejos, essa data é um dos eventos mais importantes do ano, destacando a relevância histórica e cultural do cangaço na região.

O Memorial da Resistência em Mossoró, no Rio Grande do Norte, presta uma homenagem à resistência da cidade contra o bando de Lampião. A mostra é mais do que uma simples exposição de artefatos históricos; é uma afirmação da resiliência nordestina, um tributo àqueles que ousaram enfrentar o medo e a violência.

O percurso das cabeças decapitadas pelos estados nordestinos e até o sudeste do Brasil, primeiramente exibidas por João Bezerra da Silva, foi um espetáculo macabro que atraiu multidões curiosas. Em Piranhas, Alagoas, as cabeças foram cuidadosamente dispostas na escadaria da Prefeitura, junto com armamentos dos cangaceiros. Depois seguiram para Maceió e outras regiões, consolidando um ciclo de morbidez pública que insistia em manter viva a lembrança dos cangaceiros através de seus restos mortais em decomposição.

No IML de Aracaju, as cabeças foram analisadas por médicos e criminalistas que, desafiando as teorias de degenerescência física associadas aos cangaceiros, concluíram que não havia anomalias, estabelecendo que eram, fisicamente, homens comuns. Este dado, aparentemente insignificante, traz à tona a ironia cruel de que monstros não são fisicamente diferentes, e a vilania pode estar escondida sob a normalidade.

Depois de uma temporada na Faculdade de Odontologia da UFBA, em Salvador, e longos anos de exposição no Museu Antropológico Estácio de Lima, os restos mortais dos cangaceiros enfrentaram resistência, mas de um tipo diferente. O desejo das famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita de sepultarem dignamente seus entes queridos encontrou apoio no economista Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, que lutou incansavelmente para dar um fim à exibição desumana.

Foi apenas após a aprovação do Projeto de Lei nº 2.867, de 1965, incitado por pressões acadêmicas, populares e religiosas, que os restos mortais dos cangaceiros puderam finalmente descansar. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas em 1969, seguidas pelos outros membros do bando.

Lampião continua sendo uma figura paradoxal: herói para alguns, vilão para outros. A complexidade de sua vida e suas ações são continuamente exploradas em estudos, livros, filmes e canções, que invariavelmente refletem as tensões sociais, as injustiças e os conflitos entre poderosos e oprimidos no cenário do sertão nordestino. Seu legado permanece como um símbolo de resistência, encapsulando a luta dos sertanejos contra a opressão e a injustiça. A cada exame dessa história, emerge a profundidade dessa figura emblemática da cultura popular brasileira, desafiando simplificações e demandando um olhar mais nuançado sobre a brutalidade e bravura que definiram uma era.

Tags: fatos históricoshistóriamemória
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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