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O projeto da “anti-história”: como governos desmantelam a soberania e a memória dos povos

O impacto das políticas de extermínio e a desumanização das populações civis seguem sem uma resposta efetiva da comunidade internacional.

Por Redação
05/04/2026 - 11:18
em Editorial
Lançamento da Carta das Nações Unidas de 1945, em São Francisco Foto: Picture Alliance/Dpa/Akg/Images

Lançamento da Carta das Nações Unidas de 1945, em São Francisco Foto: Picture Alliance/Dpa/Akg/Images

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*Editorial Fronteira Livre

O cenário geopolítico de 2026 expõe uma ferida aberta na governança global: o absoluto fracasso da Organização das Nações Unidas (ONU) e a paralisia terminal de seu Conselho de Segurança. O que deveria ser o fórum de salvaguarda da paz mundial tornou-se, na prática, um palco de vetos cruzados que garantem a impunidade para as potências de extrema-direita. Sob o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os Estados Unidos aprofundam uma doutrina de isolamento agressivo que ignora qualquer mediação multilateral, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu, em Israel, avança com uma ofensiva em Gaza que desafia as cortes internacionais e as convenções de direitos humanos. Essa ineficácia institucional não é apenas um erro burocrático, mas uma permissão tácita para que o revisionismo histórico e o expansionismo militar redesenhem o mapa do sofrimento humano sem qualquer barreira legal.

A antimemória começa por atacar a autoridade do registro histórico e científico. Em governos de extrema-direita, instituições acadêmicas, arquivos nacionais e o próprio jornalismo investigativo são rotulados como “ideológicos” ou “doutrinadores”. Quando a fonte de prova é desacreditada, abre-se o vácuo para a narrativa oficial baseada em mitos nacionais.

A antimemória é uma arma de desumanização. Para justificar intervenções externas ou a supressão de direitos de minorias internas, o “inimigo” precisa ser despido de sua história. Se um povo como os palestinos, ou uma nação como o Irã ou Cuba tem sua trajetória histórica e cultural sistematicamente negada, torna-se muito mais fácil convencer a opinião pública global de que eles são apenas “problemas a serem resolvidos” ou “ameaças existenciais” que podem ser eliminadas sem culpa. É a negação da existência histórica como condição prévia para a aniquilação física ou política.

Essa “antimemória” institucionalizada reflete-se na tragédia contínua e na guerra silenciosa que devasta o Iêmen, onde a fome e o bombardeio são utilizados como ferramentas de subjugação diante do olhar imóvel de uma comunidade internacional acovardada. Enquanto Israel utiliza a narrativa do direito histórico para justificar o que muitos organismos já classificam como limpeza étnica, o Iêmen permanece como uma mancha de esquecimento deliberado, vítima de interesses geoestratégicos que o Conselho de Segurança prefere não enfrentar para não melindrar alianças petroleiras ou militares. Essa engrenagem de poder não se limita ao Oriente Médio; ela transborda em tentativas sistemáticas de invasão soberana e desestabilização de nações como Cuba, Venezuela e Irã, onde o bloqueio econômico é a arma escolhida para apagar processos de resistência popular e forçar a rendição cultural de povos inteiros.

O cenário de horror transcende o campo de batalha e se converte em uma política deliberada de extermínio pela fome, onde a privação de alimentos e água potável é utilizada como uma arma de guerra contra populações civis encurraladas. Esse processo de desumanização, que reduz seres humanos a estatísticas de baixas e corpos sem sepultura, é alimentado por uma indiferença global que assiste passivamente à morte de milhares de crianças por desnutrição e enfermidades evitáveis. O número de mortos, que já não cabe nos obituários oficiais, é o testemunho silencioso de uma barbárie que ignora o direito à vida em nome de objetivos geoestratégicos, provando que a ‘antimemória’ começa pelo apagamento da dignidade do indivíduo antes mesmo de sua eliminação física.

A proposta desses governos contra a população é invariavelmente pautada pela retirada de garantias fundamentais e pelo desmonte do que resta de bem-estar social.  Na América do Sul, esse eixo de extrema-direita encontra eco e servilismo nas gestões da Argentina e do Paraguai, que consolidam uma aliança ideológica e estratégica com o expansionismo de Trump e o militarismo de Netanyahu. Sob o pretexto de uma ‘nova liberdade’ e de um alinhamento com os valores do norte global, esses governos submetem suas políticas externas aos interesses de Washington e Tel Aviv, muitas vezes agindo contra a própria integração regional e os interesses históricos de seus povos. Essa simbiose política não apenas legitima as agressões internacionais no Oriente Médio, mas importa para a nossa fronteira o modelo de segurança repressiva e o desmonte dos marcos civilizatórios, transformando o Cone Sul em um satélite de uma ordem mundial que prioriza a força e o capital em detrimento da soberania e da justiça social.

Quando a ONU falha em barrar o avanço de Trump ou as ofensivas de Netanyahu, ela sinaliza que a soberania das nações do Sul Global e a vida dos povos árabes e latino-americanos são moedas de troca em um jogo de forças onde a diplomacia morreu. 

O silêncio das instâncias internacionais sobre Gaza, Irã, Venezuela ou a resistência cubana é o mesmo silêncio que legitima o sufocamento da soberania e a erosão das culturas nacionais em nome de uma ordem global hegemônica. Esse cenário revela que a ‘antihistória’ não é apenas uma omissão, mas um projeto de dominação que busca desmantelar a identidade dos povos e sua autonomia política, não aceitando o contraditório nem a existência de modelos de sociedade que desafiem o pensamento único da extrema-direita.

O Fronteira Livre, ao completar 17 anos em 13 de julho de 2026, reafirma que o registro jornalístico é a última barreira contra esse projeto de esquecimento programado e de falência institucional. As propostas de militarização do pensamento e a inércia do Conselho de Segurança visam criar uma massa sem referências históricas e sem proteção legal, fácil de ser conduzida por novos mitos nacionais ou submetida pelo medo. A resistência, portanto, passa obrigatoriamente pela preservação do fato e pela denúncia constante dessas incursões imperiais que tentam redesenhar o mundo à custa do sangue de inocentes e da memória dos povos que ousam não se curvar. O editorial deste domingo é um chamado à vigilância: contra a anti-história e a ineficácia dos que deveriam nos proteger, opomos a escrita precisa e o compromisso inabalável com a verdade factual.”

___

*Este texto reflete a opinião institucional do portal Fronteira Livre sobre o tema abordado.

Tags: antimemoriaargentinacubaculturadestaqueeditorialenezuelaestados unidoseuaExtrema Direitafascismogazaguerrasirãisraelpalestinaparaguaisobreraniatrump
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