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Home Biografia

Biografia: Monteiro Lobato

Por Amilton Farias
21/01/2019 - 23:45
em Biografia
Foto: Divulgação

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Foi um dos primeiros autores de literatura infantil em nosso país e em toda América Latina.

Tornou-se editor, criando a “Editora Monteiro Lobato” e mais tarde a “Companhia Editora Nacional”. Metade de suas obras é formada de literatura infantil.

Monteiro Lobato (1882-1948) nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882.

Era filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato. Alfabetizado pela mãe, logo despertou o gosto pela leitura, lendo todos os livros infantis da biblioteca de seu avô o Visconde de Tremembé.

Desde menino já mostrava seu temperamento irrequieto, escandalizou a sociedade quando se recusou fazer a primeira comunhão.

Fez o curso secundário em Taubaté. Estudou no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo.

Ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco na capital, em 1904.

Na festa de formatura fez um discurso tão agressivo que vários professores, padres e bispos se retiraram da sala.

Nesse mesmo ano voltou para Taubaté.

Prestou concurso para a Promotoria Pública, assumindo o cargo na cidade de Areias, no Vale do Parnaíba, no ano de 1907.

Monteiro Lobato casou-se com Maria Pureza da Natividade, em 28 de março de 1908.

Com ela teve quatro filhos, Marta (1909), Edgar (1910), Guilherme (1912) e Rute (1916).

Paralelamente ao cargo de Promotor, escrevia para vários jornais e revistas, fazia desenhos e caricaturas.

Ficou em Areias até 1911, quando muda-se para Taubaté, para a fazenda Buquira, deixada como herança pelo seu avô.

No dia 12 de novembro de 1912, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma carta sua enviada à redação, intitulada “Velha Praga”, onde destaca a ignorância do caboclo, criticando as queimadas e que a miséria tornava incapaz o desenvolvimento da agricultura na região.

Sua carta foi publicada e causou grande polêmica.

Mais tarde, publica novo artigo “Urupês”, onde aparece pela primeira vez o personagem “Jeca Tatu”.

Em 1917 vende a fazenda e vai morar em Caçapava, onde funda a revista “Paraíba”.

Nos 12 números publicados, teve como colaboradores Coelho Neto, Olavo Bilac, Cassiano Ricardo entre outras importantes figuras da literatura.

Muda-se para São Paulo, onde colabora para a “Revista do Brasil”.

Em seguida compra a revista e a transforma em editora.

Publica em 1917, seu primeiro livro “Urupês”, que esgota sucessivas tiragens.

Transforma a Revista em centro de cultura e a editora numa rede de distribuição com mais de mil representantes.

No dia 20 de dezembro de 1917, publica no jornal O Estado de São Paulo, um artigo intitulado “Paranoia ou Mistificação?”, onde critica a exposição de Anita Malfatti, pintora paulista recém chegada da Europa.

Estava criada uma polêmica, que acabou se transformando em estopim do movimento modernista.

Monteiro Lobato, em sociedade com Octalles Marcondes Ferreira, funda a “Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato”.

Com o racionamento de energia, a editora vai à falência. Vendem tudo e fundam a “Companhia Editora Nacional”.

Lobato muda-se para o Rio de Janeiro e começa a publicar livros para crianças. Em 1921 publica “Narizinho Arrebitado”, livro de leitura para as escolas.

A obra fez grande sucesso, o que levou o autor a prolongar as aventuras de seu personagem em outros livros girando todos ao redor do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Em 1927 é nomeado, por Washington Luís, adido comercial nos Estados Unidos, onde permanece até 1931.

Como escritor literário, Lobato destacou-se no gênero “conto”.

O universo retratado, em geral são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Parnaíba, quando da crise do plantio do café.

Em seu livro “Urupês”, que foi sua estreia na literatura, Lobato criou a figura do “Jeca Tatu”, símbolo do caipira brasileiro.

As histórias do “Sítio do Picapau Amarelo”, e seus habitantes, Emília, Dona Benta, Pedrinho, Tia Anastácia, Narizinho, Rabicó e tantos outros, misturam a realidade e a fantasia usando uma linguagem coloquial e acessível.

O livro “Caçadas de Pedrinho”, publicado em 1933, que faz parte do Programa Nacional Biblioteca na Escola, do Ministério da Educação, está sendo questionado pelo movimento negro, por conter “elementos racistas”.

O livro relata a caçada a uma onça que está rondando o sítio. “É guerra e das boas, não vai escapar ninguém, nem tia Anastácia, que tem cara preta”.

José Renato Monteiro Lobato morreu no dia 5 de julho de 1948, de problemas cardíacos.

Obras de Monteiro Lobato:

– Idéias de Jeca Tatu, conto, 1918
– Urupês, conto, 1918
– Cidades Mortas, conto, 1920
– Negrinha, conto, 1920
– O Saci, literatura infantil, 1921
– Fábulas de Narizinho, literatura infantil, 1921
– Narizinho Arrebitado, literatura infantil, 1921
– O Marquês de Rabicó, literatura infantil, 1922
– O Macaco que se fez Homem, romance, 1923
– Mundo da Lua, romance, 1923
– Caçadas de Hans Staden, literatura infantil, 1927
– Peter Pan, literatura infantil, 1930
– Reinações de Narizinho, literatura infantil, 1931
– Viagem ao Céu, literatura infantil, 1931
– Caçadas de Pedrinho, 1933
– Emília no País da Gramática, literatura infantil, 1934
– História das Invenções, literatura infantil, 1935
– Memórias da Emília, literatura infantil, 1936
– Histórias de Tia Nastácia, literatura infantil, 1937
– Serões de Dona Benta, literatura infantil, 1937
– O Picapau Amarelo, literatura infantil, 1939

Fábulas de Monteiro Lobato:

– O Cavalo e o Burro
– A Coruja e a Águia
– O Lobo e o Cordeiro
– O Corvo e o Pavão
– A Formiga Má
– A Garça Velha
– As Duas Cachorras
– O Jaboti e a Peúva
– O Macaco e o Coelho
– O Rabo do Macaco
– Os Dois Burrinhos
– Os Dois Ladrões
– A caçada da Onça

Jeca Tatu:

É no livro “Urupês”, que Monteiro Lobato retrata a imagem do caipira brasileiro, onde destaca a pobreza e a ignorância do caboclo, que o tornava incapaz de auxiliar na agricultura.

O Jeca Tatu é um flagrante do homem e da paisagem do interior.

O personagem se tornou um símbolo nacionalista utilizado por Rui Barbosa em sua campanha presidencial de 1918. Na 4ª edição do livro, Lobato pede desculpas ao homem do interior.

Tags: biografiahistóriamemória
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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