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Home Sociedade

Colo-Colo, 95 anos

Por Amilton Farias
11/02/2024 - 12:34
em Sociedade
Foto: Divulgação

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Há 95 anos, o Colo-Colo era fundado no Chile. E gostaríamos de aproveitar a efeméride para refletir sobre a importância deste clube para além das quatro linhas do campo de jogo. Mais precisamente sobre sua relevância para a própria História Política contemporânea da América Latina.  

Como gostam de provocar os colo-colinos, o futebol chileno se divide entre aqueles que amam e odeiam o Colo-Colo. Brincadeiras à parte, o alvinegro de Santiago é, indubitavelmente, um dos clubes mais lembrados, apreciados, prestigiados e, porque não, temidos e detestados do Chile. Por isso, não é tão difícil encontrarmos referências, muitas delas ufanistas, sobre a sua história, suas memórias e tradições. Dentre elas, o livro Goles y Autogoles, do jornalista Daniel Matamala que, de maneira um tanto quanto teleológica, considera a fundação do Colo-Colo uma espécie de divisor de águas do futebol chileno, por ter sido ela fundamental para a conversão desse esporte em um fenômeno de massas, já que “sua mística e hierarquia de futebol permitem arrastar milhares de pessoas para os campos, tanto em Santiago quanto em seus contínuos movimentos fora da capital”.

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Sem entrar no mérito da pertinência da leitura que Daniel Matamala faz da fundação do Colo-Colo, Goles e Autogoles também nos premia com uma interessante abordagem política da história do clube chileno. De acordo com o jornalista, o sucesso do Colo-Colo e sua identificação com o povo chileno fez o clube se tornar “presa” favorita dos políticos. Até aqui, nenhuma novidade, não é mesmo?

Complementando a narrativa de Matamala, Raúl Vergara, em seu texto Fútbol como objeto de deseo del poder político en Chile: los casos del Colo Colo 73 y Carlos Caszely, nos diz que essa instrumentalização política do clube de Santiago tornou-se icônica durante a década de 1970, contexto em que o futebol chileno será também convertido em um ator importante da sociedade. E, talvez para surpresa de muitos, de acordo com Vergara, tanto Salvador Allende quanto Augusto Pinochet perceberam o poder de união nacional que o Colo-Colo era capaz de proporcionar. Vamos, então, a essa história.

Como deve ser de conhecimento de muitos, em 1970 Salvador Allende foi eleito o primeiro presidente socialista da história do Chile e os primeiros anos de seu governo foram marcados por avanços do projeto de governo da Unidad Popular (UP). No entanto, em 1973, o Chile passou a viver uma crise política, econômica e social, resultado de um processo de deslegitimação do governo de Allende organizado pela direita chilena, com o apoio dos Estados Unidos. A crise levou ao desabastecimento de combustíveis e alimentos, acentuando, ainda mais, a polarização social e ideológica no país. No entanto, como observado por Vergara, seria nesse mesmo contexto que o futebol, simbolizado principalmente pelo Colo-Colo, seria usado pelo instável governo de Allende como estratégia de coesão social e união nacional.

No documentário O clube mais usado pela Ditadura Militar?, lançado em 2018 e produzido pelo canal Peleja, Cristóbal Correa, diretor da extinta revista De cabeza, declarou que a crise política, de certa maneira, se apaziguou nos momentos em que o Colo-Colo jogava, pois todos estavam “em frente a TV, vendo como se sairia o Colo-Colo na partida seguinte.”

Ainda nesse sentido, o jornalista chileno Luis Urrutia, autor do livro Colo Colo 1973, el equipo que retrasó el golpe, destacou que o clima de concertação social proporcionado pelo clube chileno permitiu que o golpe fosse adiado, já que era o Colo-Colo, em plena campanha de Libertadores, que mantinha Allende seguro. Em entrevista concedida ao jornal El Mostrador, o autor relatou que o Colo-Colo era “a única coisa que unia um país muito desunido. O próprio presidente (Salvador) Allende disse aos jogadores. (O técnico) Luis Álamos diz que antes dos jogos importantes, o presidente o chamou e disse: ‘Espero que eles ganhem, para manter o país unido’.”.

Em 11 de setembro de 1973, a queda do presidente da Unidad Popular marcou profundamente a história do Chile dando início a uma ditadura militar que durou até 1990. O aparato repressivo da ditadura pinochetista pautou-se na perseguição, prisão e tortura de intelectuais, estudantes, políticos e ativistas ligados aos movimentos e partidos de esquerda e de oposição.

A constatação de que o futebol poderia lhe servir de manobra política e social fez com que Pinochet logo elegesse o Colo-Colo como um instrumento a seu favor. Conforme observado por Vergara, a relação entre o futebol e a política durante a ditadura militar se pautou de duas maneiras: na primeira, buscava-se controlar o futebol através da intervenção, direta ou indireta, da Asociación Central de Fútbol (ACF), e de alguns clubes importantes através de influências; na segunda, o governo continuou financiando a ACF, pois nas palavras de Pinochet, citado por Vergara “cuando es cosa de fútbol, la gente no perdona”.

 Dessa maneira, o posicionamento da torcida antifascista rechaça não apenas a alcunha de “time do Pinochet”, como também nos demonstra a sua preocupação com a memória, com o antifascismo e com as classes populares. Assim, é perceptível que os espectros da ditadura pinochetista e do neoliberalismo ainda estão presentes no Chile, mas a torcida do Colo-Colo tem se mostrado disposta a espantá-los.

Leia mais: Marco Legal da Cannabis pode permitir plantio caseiro no Brasil

    
 

[1] Expressão popular chilena que significa, de maneira geral, pessoa rica e que ostenta riqueza.
[2] Expressão chilena que significa, de maneira geral, admirador e defensor da ditadura. 

REFERÊNCIAS

 COLO Colo 73: el equipo que pudo atrasar el golpe. El Mostrador. Santiago, 09/09/2013. Acesso em 15/04/2020. 

JEREZ VERGARA, Raúl. Fútbol como objeto de deseo del poder político en Chile: los casos del Colo Colo 73 y Carlos Caszely. 2018. Tese de Doutorado. Universidad Andrés Bello.

Matamala, D. (2015). Goles y Autogoles: Historia política del fútbol chileno (Segunda ed.). Santiago: Viral Ediciones. O CLUBE mais usado pela Ditadura Militar?. Direção de Murilo Megale. Peleja, 2018 (18 min)

Por Mariana Brescia, Marcus Vinícius Costa Lage

 

 

 

 

Tags: fatos históricos
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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