Você sabia que as formigas conseguem identificar seus amigos e inimigos?

Estudo revela que o reconhecimento social entre insetos é muito mais flexível e baseado em aprendizado do que se imaginava, definindo quem permanece e quem é expulso do ninho.

As antenas são os principais órgãos sensoriais usados pelas formigas para a comunicação química. Foto: Reprodução/Internet

Você já se perguntou como, em um formigueiro com milhares de indivíduos idênticos, uma formiga sabe exatamente quem é sua “colega de quarto” e quem é uma invasora perigosa? A resposta não está na visão, mas em um sistema de “assinaturas odoríferas” muito mais sofisticado e flexível do que a ciência imaginava.

O “RG” de cera

O segredo da identidade das formigas reside em uma substância cerosa que reveste seus corpos. Embora colônias diferentes utilizem os mesmos compostos químicos, a “receita” muda: cada formigueiro possui proporções únicas dessas substâncias, criando um odor exclusivo para aquela população. É esse revestimento que permite expulsar parasitas sociais e manter a ordem interna.

Um estudo recente da Universidade de Rockefeller, publicado na revista Current Biology, revelou que o reconhecimento social das formigas é um processo de aprendizado contínuo. Segundo o pesquisador Daniel Kronauer, as formigas atualizam seu senso de olfato constantemente.

“Talvez a composição genética da colônia mude; talvez influências ambientais alterem o odor; ou talvez a colônia encontre vizinhos diferentes e precise discriminar certas formigas mais do que outras”, explica Kronauer.

Provas reais: o experimento com clones

Para provar essa flexibilidade, os cientistas utilizaram a formiga invasora clonal (Ooceraea biroi). Como elas se reproduzem de forma assexuada, os pesquisadores criaram formigas geneticamente idênticas, mas de linhagens (odores) diferentes, e as misturaram em colônias artificiais.

As principais conclusões foram fascinantes:

Essa pesquisa é o primeiro passo para entender como o cérebro desses insetos processa sociedades tão complexas. “Agora podemos visualizar a atividade neural enquanto uma formiga encontra uma companheira ou uma inimiga”, pontua Kronauer. A meta agora é descobrir exatamente onde a aprendizagem e a adaptação ocorrem dentro do minúsculo, porém brilhante, cérebro das formigas.


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