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Presídio Central de Porto Alegre: facções mandam “da boca da galeria para dentro”, diz juiz

Em entrevista à IHU On-Line, magistrado afirma que disciplina interna é imposta por grupos criminosos e cobra investimento pesado do Estado

Por Amilton Farias
19/04/2012 - 11:52
em Entrevistas
Foto: Reprodução

Entrevista à IHU On-Line descreve crise estrutural e dependência do Estado em relação às facções. Foto: Reprodução

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PORTO ALEGRE (RS) – O juiz Sidinei Brzuska, que atua na Fiscalização dos Presídios da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre e região metropolitana, afirmou que o Presídio Central de Porto Alegre vive uma situação de colapso estrutural e de controle interno por facções. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o magistrado disse que o Estado controla a entrada e os corredores, mas que, “da boca da galeria para dentro”, o comando é “100%” dos presos.

Controle interno e papel das facções

“O Estado é dependente das facções”, afirma o juiz

Segundo Brzuska, o Estado tornou-se dependente das facções para manter a disciplina interna: “São elas que botam a disciplina interna. Sem elas, o sistema cai”. Para coibir a atuação desses grupos, o juiz defende que a única saída efetiva é o investimento pesado do Estado no sistema prisional.

Na avaliação do magistrado, as facções seguem ativas na penitenciária, com mudanças na forma de atuação, e o dinheiro do tráfico tem sido determinante para o poder exercido no interior da unidade.

Condições sanitárias e estrutura física

Esgoto saturado e rede hidráulica comprometida

Brzuska classifica o Presídio Central como “a pior cadeia do país”, não apenas pela lotação — já que existem unidades mais superlotadas —, mas pelo tamanho da prisão e pelas condições sanitárias precárias. Ele afirma que a rede hidráulica está totalmente comprometida e, a seu ver, sem condições reais de conserto, enquanto os presos continuam nos prédios.

Para o juiz, a superlotação por muitos anos destruiu a rede de esgotos, e, com a estrutura já arruinada, a própria superlotação se agrava: visitantes, presos e servidores ficam expostos aos dejetos, que podem retornar pelas paredes e pátios em função da saturação das fossas.

Riscos imediatos no funcionamento da penitenciária

Incêndio, falta de água e queda de energia

Além do esgoto, Brzuska aponta risco de incêndio decorrente da rede elétrica precária, somado à falta de água. Ele relata que, quando falta energia elétrica — por incapacidade da estrutura — “a cadeia bate”, o que, segundo ele, resulta em mais danos aos prédios.

O juiz menciona ainda que obras podem ficar paradas por falta de recursos e que, nesse cenário, intervenções em presídios tendem a ser as primeiras a perder continuidade.

Superlotação, interdição e limites de ingresso

Capacidade e recusa de novos presos

O magistrado ressalta que o Presídio Central tem capacidade total de cerca de 2.600 pessoas, mas que passou a conviver com números muito superiores. Ele lembra que, desde 1º de agosto de 2011, a unidade não poderia abrigar mais de 4.650 detentos, devendo a direção recusar o ingresso de novos presos, independentemente da natureza da prisão.

Ainda assim, Brzuska afirma que o problema da lotação se mantém como eixo central da crise e sustenta que, para amenizá-lo, “apenas a abertura de novas vagas” permitiria enfrentar a situação.

Efeito dominó no sistema prisional

Outras casas prisionais tendem a reproduzir o “Central”

O juiz avalia que a interdição e a limitação do Presídio Central não eliminam o problema, mas o deslocam para outras unidades: por decorrência, as casas prisionais que recebem excedentes enfrentariam a mesma pressão e caminhariam para o colapso.

Ele também afirma que, como o Central funciona como porta de entrada, presos transferidos tendem a reproduzir em outras prisões a mesma lógica e ideologia recebidas das facções, o que faz com que outras unidades passem a refletir o próprio Central.

Pressão social e resposta política

“Sem pressão social, a classe política não se movimenta”

Brzuska atribui a permanência do problema, em parte, ao pouco caso da população com a crise prisional. Na visão dele, sem pressão social consistente, a classe política não se move para enfrentar o tema com a urgência necessária.

Ele também destaca que, juridicamente, a interdição do Presídio Central é antiga e consolidada: a decisão teria transitado em julgado em 1995, o que impediria sua reversão.

Trabalho, ressocialização e limites do modelo

Colônias penais e o domínio dos mesmos grupos

Para Brzuska, o trabalho é o principal instrumento para a recuperação de presos. Porém, no sistema atual, ele afirma que colônias penais têm pouca efetividade, tornando-se locais de consumo de drogas e controladas pelos mesmos grupos que dominam o regime fechado.

Impacto humano e cotidiano da fiscalização

“Sensação de desolação e vergonha”, diz o magistrado

Ao falar sobre a experiência de entrar no Presídio Central, Brzuska afirma que qualquer pessoa que conheça a unidade ficará com sensação de desolação e vergonha. Ele descreve o trabalho como desgastante, sobretudo pela situação das famílias e pelo que considera injustiças do sistema.

Questionado sobre medo ao entrar na prisão, o juiz diz que nunca teve receio em relação à integridade física, mas ressalta que o mesmo não pode ser dito quanto à saúde, diante das condições degradantes do ambiente.

Quem é Sidinei Brzuska

Da magistratura à fiscalização prisional

Sidinei Brzuska é formado em Direito pela PUCRS e é juiz desde os 29 anos. Antes da carreira jurídica, trabalhou como office-boy, borracheiro, lavador de carros, frentista e agente de segurança da Justiça Federal. Aos 21 anos, decidiu seguir a magistratura e, atualmente, atua na fiscalização prisional em Porto Alegre e região metropolitana.

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Tags: entrevistasnotíciaspresidiosociedadeviolência
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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