Oposição pede ao MP-PR investigação sobre oferta de Espanhol nas escolas do PR

Deputado Arilson Chiorato afirma que emenda constitucional pode não estar sendo cumprida pela Secretaria da Educação

Deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Casa. Créditos: Orlando Kissner/Alep

Curitiba (PR) – O líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado estadual Arilson Chiorato (PT), protocolou nesta quinta-feira (12) representação no Ministério Público do Paraná (MP-PR) pedindo apuração sobre o cumprimento da oferta de Língua Espanhola nas escolas estaduais. Segundo o parlamentar, denúncias recebidas no início do ano letivo indicam possível descumprimento da Emenda nº 52/2022, conhecida como PEC do Espanhol, que incorporou o ensino do idioma à Constituição Estadual.

Autor da proposta que tornou obrigatória a oferta da disciplina no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, Arilson afirma que, mesmo após quase três anos da promulgação da emenda, há indícios de que a norma não esteja sendo aplicada de forma efetiva na rede pública.

No documento encaminhado ao MP-PR, o deputado solicita a instauração de procedimento administrativo ou investigatório para verificar o cumprimento do artigo 179, parágrafo 9º, da Constituição do Estado do Paraná.

“Temos recebido inúmeras denúncias, especialmente após a distribuição de aulas, indicando um flagrante desrespeito à Constituição do Paraná. A PEC do Espanhol, aprovada com o intuito de tornar o Paraná trilíngue, não pode ser ignorada. Não podemos esquecer que foi aprovada como emenda à Constituição do nosso estado. Por isso, encaminhei um pedido de apuração ao Ministério Público”, disse o deputado estadual Arilson Chiorato.

A PEC do Espanhol foi aprovada em 31 de agosto de 2022 e estabeleceu implementação gradativa até 2026. A norma prevê carga horária mínima de duas horas-aula semanais, configurando-se como disciplina optativa aos estudantes.

Registro via Celem é questionado

De acordo com as denúncias relatadas ao parlamentar, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) estaria registrando a oferta do idioma por meio do Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem). Para o deputado, esse modelo não atende ao que determina a emenda constitucional.

O Celem é caracterizado como programa complementar, condicionado a critérios administrativos específicos, e não como disciplina integrante regular da matriz curricular.

“Na prática, a Seed registra o Espanhol como ‘ofertado’, mas não garante sua execução pedagógica, frustrando tanto o direito dos estudantes quanto o exercício profissional dos docentes habilitados. A Constituição precisa ser cumprida”, afirmou Arilson.

Pedido de apuração formal

Na representação, o parlamentar solicita que o Ministério Público verifique o cumprimento material da norma constitucional pela Seed, apure eventual omissão administrativa ou desvio na execução da política pública linguística e adote medidas para assegurar a efetiva oferta da disciplina nas escolas estaduais.

Ao justificar o acionamento do órgão, Arilson sustenta que cabe ao MP-PR, como fiscal da ordem jurídica e defensor dos interesses sociais, garantir a efetividade das normas constitucionais, especialmente quando envolvem o direito fundamental à educação.

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