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Educadores de Foz consideram exoneração de secretária da Educação como vitória

Saída de Silvana Garcia ocorre após período de tensão; categoria cobra diálogo, valorização profissional e mudanças na educação pública

Por Amilton Farias
18/04/2026 - 14:14
em Opinião
Sindicato aponta vitória e defende nova condução da pasta. Foto: Christian Rizzi/CMFI

Sindicato aponta vitória e defende nova condução da pasta. Foto: Christian Rizzi/CMFI

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*Por Amilton Farias – Opinião

A exoneração da secretária municipal de Educação, Silvana Garcia André, oficializada em 16 de abril, foi recebida por educadores da rede pública de Foz do Iguaçu como um ponto de inflexão em uma crise que se arrastava há mais de um ano e que expôs fragilidades estruturais na condução da política educacional do município. Para professores, diretores e servidores, a decisão da Prefeitura representa mais do que uma troca administrativa: é o reconhecimento de um modelo de gestão que não conseguiu dialogar com a realidade das escolas.

Desde o início da atual administração do prefeito Joaquim Silva e Luna, a escolha de um nome com trajetória vinculada à estrutura estadual, com respaldo político do governador Ratinho Junior, já indicava uma tentativa de imprimir um perfil técnico à Secretaria. No entanto, ao longo do tempo, esse perfil foi confrontado por uma rede municipal que exige, além de conhecimento técnico, escuta ativa, presença cotidiana e compreensão das especificidades locais. O distanciamento entre gestão e comunidade escolar se tornou um dos principais elementos de desgaste.

O acúmulo de tensões não se deu por um episódio isolado, mas por uma sequência de decisões e dificuldades que impactaram diretamente o funcionamento das unidades. A retirada de livros de inglês das escolas, que gerou repercussão pública e questionamentos institucionais, simbolizou para muitos profissionais a falta de diálogo e planejamento. Ao mesmo tempo, problemas como a ausência de professores, falhas no fornecimento de merenda e a imposição de metas consideradas desconectadas da realidade das escolas reforçaram a percepção de que a gestão não respondia às necessidades concretas da rede.

Esse cenário já vinha sendo apontado desde 2025, quando o Fronteira Livre registrou as primeiras preocupações da categoria diante das mudanças na Secretaria de Educação. De lá para cá, o que se viu foi o aprofundamento de uma crise que deixou marcas no cotidiano escolar e no ambiente de trabalho dos educadores.

A permanência da secretária por meses, mesmo diante das críticas, também teve peso político. Ao sustentar a gestão, o prefeito buscou preservar uma leitura de estabilidade administrativa, atribuindo parte das tensões a disputas externas. A exoneração, agora, revela uma mudança de avaliação diante da pressão acumulada e da repercussão dos problemas na rede.

Para o Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal, a saída de Silvana Garcia é resultado direto da mobilização da categoria. A leitura predominante entre os educadores é de que houve resistência, organização e denúncia contínua das condições enfrentadas nas escolas. Mais do que celebrar a exoneração, o sindicato aponta que o momento exige uma reconstrução da política educacional baseada no diálogo, na valorização profissional e na participação efetiva dos trabalhadores da educação nas decisões.

Esse movimento ganhou força imediata. No dia seguinte à exoneração, diretores das 96 unidades de ensino da rede municipal se reuniram e encaminharam ao prefeito um documento com sugestões de nomes para assumir a Secretaria. A iniciativa não se limita à indicação de pessoas, mas expressa uma tentativa da própria rede de intervir no rumo da política educacional. Ao apresentar profissionais com experiência em gestão escolar e reconhecimento interno, os diretores sinalizam que a condução da educação precisa estar conectada com quem vive diariamente os desafios das unidades, no chão da escola.

O documento também evidencia um diagnóstico mais profundo sobre a estrutura da Secretaria. Ao apontar problemas na organização das diretorias e na distribuição de responsabilidades, os educadores indicam que a crise não é apenas de liderança, mas de modelo administrativo. A defesa pela criação de áreas específicas para Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação Especial reflete a necessidade de uma gestão mais especializada, capaz de responder à complexidade de uma rede que atende cerca de 30 mil crianças e envolve mais de 3 mil profissionais.

Nesse contexto, a exoneração abre uma disputa que vai além da escolha de um novo nome. Trata-se de definir qual será o projeto de educação pública para Foz do Iguaçu. A decisão que vier a ser tomada pelo Executivo terá impacto direto não apenas na organização interna da Secretaria, mas na qualidade do ensino, nas condições de trabalho dos educadores e na relação entre poder público e comunidade escolar.

Até o momento, a Prefeitura não anunciou quem assumirá a pasta. O silêncio institucional contrasta com a urgência percebida nas escolas. Para a categoria, o próximo passo precisa representar uma ruptura com o modelo anterior, garantindo abertura ao diálogo, reconstrução de confiança e fortalecimento da educação pública como política central do município.

Mais do que uma mudança administrativa, o episódio recoloca no centro do debate a importância da educação como direito e como responsabilidade coletiva. Em uma cidade marcada por desigualdades e por dinâmicas sociais complexas, a escola pública segue sendo um dos principais espaços de construção de cidadania — e é justamente por isso que sua condução não pode prescindir de escuta, compromisso e participação.

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*Amilton Farias é jornalista e editor chefe do Portal Fronteira Livre

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Este texto reflete a opinião institucional do portal Fronteira Livre sobre o tema abordado.

 

Tags: artigodestaquefoz do iguaçuopiniãosindicatosinprefisismufi
Amilton Farias

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Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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