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Home Opinião

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

A linguagem corporativa transforma as relações de trabalho sem alterar a realidade de quem produz a riqueza.

Por Amilton Farias
01/05/2026 - 18:08
em Opinião
Pertencimento simbólico substitui direitos concretos. A/Fronteira Livre.

Pertencimento simbólico substitui direitos concretos. A/Fronteira Livre.

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Por Amilton Farias – Opinião

Não foi só o jeito de falar dentro das empresas que mudou — foi a forma de enxergar o trabalho. Nos últimos anos, o mercado passou a trocar palavras como “trabalhador” e “empregado” por termos mais suaves, como “colaborador”, “parceiro” e até “empreendedor de si mesmo”. Parece algo moderno, quase sem importância. Mas não é. Essa mudança tem um objetivo: fazer parecer que as relações de trabalho mudaram, quando, na prática, continuam as mesmas.

A palavra “colaborador” dá a ideia de que todos estão no mesmo nível dentro da empresa, como se fosse uma parceria justa. Mas isso não acontece na realidade. A relação continua desigual. De um lado, está quem precisa trabalhar para viver. Do outro, quem define regras, metas e fica com a maior parte dos resultados. O trabalhador pode até ser chamado de parceiro, mas não decide os rumos da empresa, não tem controle e não recebe uma parte justa da riqueza que ajuda a gerar.

O que existe, na prática, é um sentimento de pertencimento que não vem acompanhado de poder. Os trabalhadores são incentivados a se dedicarem mais, a “vestir a camisa” e a tratar a empresa como se fosse sua. Mas esse pertencimento tem limite: ele não chega ao lucro nem às decisões. O trabalhador participa do esforço, mas não do resultado. E isso não é por acaso — faz parte do funcionamento do sistema.

A linguagem como ferramenta de despolitização

Essa mudança de linguagem também ajuda a esconder o conflito. Quando deixam de existir palavras como “patrão” e “empregado”, fica mais difícil perceber que há interesses diferentes em jogo. De um lado, quem quer melhores salários e qualidade de vida. Do outro, quem busca aumentar o lucro. Esse conflito, que é parte do capitalismo, passa a ser tratado como algo menor ou até inexistente. E, quando o trabalhador não se reconhece nessa relação, perde força para questionar e se organizar.

Essa lógica anda de mãos dadas com a precarização do trabalho. A pejotização, o crescimento dos aplicativos, a terceirização e a retirada de direitos vêm sempre acompanhados de discursos sobre liberdade, autonomia e parceria. Mas o que acontece na prática é outra coisa: o trabalhador assume mais riscos, enquanto o lucro continua concentrado. Ele vira “parceiro” quando precisa pagar os custos, mas continua sendo descartado quando deixa de interessar.

Isso também enfraquece a organização coletiva. Ao tratar cada trabalhador como um indivíduo isolado, o mercado enfraquece a ideia de união. Sindicatos perdem força, a mobilização diminui e a negociação coletiva dá lugar a acordos desiguais. O que antes era um problema coletivo passa a ser visto como responsabilidade individual. E, assim, o conflito deixa de ser político e passa a ser tratado como algo pessoal.

Nesse cenário, a linguagem vira uma ferramenta de controle. Ao suavizar a realidade, ela dificulta que o trabalhador enxergue a exploração e reaja a ela. Não é só uma mudança de palavras — é uma forma de moldar a maneira como as pessoas entendem o trabalho.

Por isso, recusar esse tipo de linguagem não é detalhe. É uma posição política. Chamar as coisas pelo nome certo é o primeiro passo para mudar a realidade. Trabalhadores não são colaboradores nem parceiros em igualdade de condições. São pessoas que produzem riqueza em um sistema que continua concentrando esse resultado nas mãos de poucos.

Enquanto o mercado fala em pertencimento, a realidade mostra outra coisa. Sem acesso às decisões, ao poder e ao lucro, esse pertencimento é apenas discurso. E quando o discurso tenta esconder a realidade, quem ganha continua sendo quem já está no topo.

Porque, no fim, a pergunta permanece — e ela não pode ser suavizada:

Se a todos pertencem, por que poucos decidem?
Se todos colaboram, por que poucos acumulam?
E, principalmente, quem ganha quando o trabalhador deixa de se reconhecer como trabalhador?

____

*Amilton Farias é jornalista e editor-chefe do Portal Fronteira Livre

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Este texto reflete a opinião institucional do portal Fronteira Livre sobre o tema abordado.

Tags: artigodestaqueopinião
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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